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Sexualidade na síndrome Down é igual a todas as outras

Sexualidade na síndrome Down é igual a todas as outras

Sexualidade na síndrome Down é igual a todas as outras

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A síndrome de Down é uma alteração causada pela presença de um cromossomo a mais no par 21. Essa diferença afeta o desenvolvimento do indivíduo refletindo-se em algumas características físicas (boca pequena, achatamento da parte de trás da cabeça, língua proeminente, tônus muscular diminuído etc) e cognitivas (rebaixamento das habilidades de análise, síntese e fala comprometida).

Mas o desenvolvimento das pessoas com essa trissomia está intimamente relacionado ao estímulo e ao incentivo que recebem, sobretudo nos primeiros anos de vida. De acordo com Rodrigo & Palácios (1988) , essa qualidade de interação está mais claramente relacionada com o desenvolvimento da criança nos primeiros anos do que com as próprias características das crianças (salvo em casos de deficiência muito grave) e inclusive alguns programas de intervenção.

Cabe salientar que o despertar dos processos internos de desenvolvimento surge com o aprendizado, momento em que o indivíduo entra em contato com o ambiente que o cerca. E como fica a sexualidade da pessoa com síndrome de Down? Assim como em qualquer outra fase do desenvolvimento, o despertar do interesse sexual requer orientação para que possa ser vivenciado de forma sadia. 

Por isso, é de suma importância a participação da família, pois reduzirá o constrangimento social, perante a expressividade da sexualidade e a maneira como a pessoa com síndrome de Down a produz, bem como a erotização da genitália em público ou até mesmo a troca de olhares entre os pares, a famosa paquera.

Por ser um tema enraizado por mitos e preconceitos, ainda gera certo acanhamento quando abordado e fica mais tenso quando difere do que é imposto como “normalidade”. A sexualidade, erroneamente confundida com sexo, é a necessidade de receber e de ofertar afeto e contato; é o olhar, o toque, a palavra, o gesto que transmitem sensações de prazer, é o traço mais íntimo do ser humano que se manifesta de forma individual, de acordo com os seus padrões sociais. 

Então, a sexualidade na pessoa com síndrome Down existe e é igual à de todas as outras. Mas, muitas vezes, por medo de expor o adolescente a riscos físicos e emocionais, alguns pais preferem encarar o filho como se fosse assexuado. Por outro lado, alguns profissionais tendem a considerar os deficientes como pessoas hiper sexualizadas, sem autocontrole nem capacidade de um mínimo entendimento ético e social. Mas isso é um mito que acaba gerando repressão, falta de orientação apropriada e comportamentos inadequados. Por isso, o melhor caminho é sempre a orientação. 

Isso quer dizer que os pais ou familiares devem conversar sobre o assunto desde os primeiros momentos da adolescência. Mesmo sendo um desafio, esse é o caminho. Vergonha, medo, crença, insegurança, repressão, dentre outros sentimentos, estarão presentes nesse trajeto, contudo, minimizá-los significa evitar que a angústia e a agressividade sejam geradas, evitando uma possível alteração no equilíbrio emocional na pessoa com síndrome de Down.

Dialogar de forma clara, na medida em que surgem os questionamentos, já é um bom início e facilitará a capacidade de se relacionar, melhorando a autoestima e o convívio em sociedade. Portanto, a informação dada desde cedo, previne também abusos sexuais, pois a pessoa com síndrome de Down perceberá quando o afeto for ofertado de forma invasiva e desrespeitosa.

Não estamos nos atendo aqui aos preconceitos que permeiam a sociedade, mas é importante propagar o conhecimento, quebrar os muros inconscientes que nos impedem de vislumbrar o horizonte e criar novas estratégias para que esse tema seja abordado e praticado de forma simples e leve. 

 

Foto: Nina Malyna

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