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A trombose e eu

A trombose e eu

A trombose e eu

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Olá meninas, tudo bom? Vocês sabem o que significa a sigla TVP? É a temida e perigosa Trombose Venosa Profunda. Vamos conversar sobre os riscos que esse problema vascular pode representar para a nossa saúde? Vivi essa situação na pele em junho de 2012 e foi um verdadeiro pesadelo. Para contar essa história, eu pedi a ajuda de uma especialista no assunto, a Dra. Áurea Teixeira, angiologista e cirurgiã vascular. Ela cuidou de mim e deu informações valiosas sobre a doença.

Quem me conhece sabe que sou ligada no 220 W. Ficar quieta, pra mim, é quase que uma tortura, rs. Imaginem a minha agonia ao descobrir que estava vivendo um quadro da bendita trombose bem no período junino, época na qual Sergipe inteiro ferve ao som dos forrós.

Eu nem sonhava o que estava acontecendo quando comecei a sentir uma dor estranha na perna (detesto dor, ôh coisa chata). Toda vez que fazia atividade física sentia um incômodo. Até pensei que eram os treinos (fazia musculação).

Com a persistência da dor a ponto de não me deixar dormir, entrei em contato com a doutora Áurea. Ela pediu que eu parasse de passar qualquer produto que estivesse usando e disse que queria me ver. Chegando ao consultório, após a realização de alguns exames, a confirmação: “Trombose Venosa Profunda Parcial da perna esquerda”.

A partir daí começou uma série de surpresas, a cada consulta uma novidade. Minha ansiedade era crescente, assim como as manchas roxas que se espalharam pela perna. Era difícil controlar o choro a cada novo encontro com a médica.

Primeiros sintomas
O primeiro sinal foi uma dor constante na parte traseira da perna. Sempre fui muito atenta ‘a qualquer dor diferente que surgisse no meu corpo. Assim, quando essa tal dor surgiu e ficou, me deixou em alerta. Outro sintoma detectado por meio do exame, chamado Duplex Scan, foi um coágulo de sangue na perna. Na mesma hora perguntei, estive aqui há poucos dias e não havia nada, como pode? “O coágulo já vinha se formando silenciosamente. Graças a Deus, você é atenta”, foi a resposta.

Tratamento
O tratamento é feito à base de corticóide, anticoagulante e repouso. Dra. Áurea preferiu que o tratamento fosse domiciliar devido ao acolhimento da família e também para evitar o risco da infecção hospitalar. Foram seis meses de tratamento medicamentoso e um ano de tratamento clínico.

Durante o tratamento, passei a observar o quanto, nós seres humanos, nos desconhecemos e, às vezes, falamos bobagens sem nos darmos conta. “Vixe, você com trombose? Doença de velho!”, foi uma das frases que ouvi. “Foi-se o tempo no qual as doenças eram específicas do idoso ou do jovem. Isso não existe mais”, explica a angiologista. Outro alerta para as mulheres: o uso exagerado de anticoncepcionais é um dos principais causadores da trombose na fase adolescente a adulta.

A médica aponta ainda outros fatores de risco. A pessoa com a idade avançada está mais propensa, como também aquela que tem varizes, está obesa, em tratamento contra o câncer e faz reposição hormonal. O pós-parto também é um momento delicado. Há ainda quem tenha as chamadas trombofilias (tendência à trombose decorrente de alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação ou da fibrinólise, que levam a um estado pró-trombótico), dor na panturrilha, edema (inchaço), aumento da consistência muscular, fatores genéticos, cirurgia, imobilização prolongada em pós-operatório ou voos de longa duração (maior que 8h).

Nós, mulheres, estamos mais propensas à trombose do que os homens, segundo a médica, por estarmos mais expostas aos fatores de risco, como gravidez, puerpério, anticoncepcional e reposição hormonal.

Dúvidas
No decorrer do tratamento várias dúvidas foram surgindo:
- Pode engravidar após um episodio de trombose? “Sim, claro que pode, mas nesse período a paciente, além de ser acompanhada pelo médico obstetra, também deverá ter acompanhamento do angiologista cirurgião vascular, devido às medicações que precisam ser usadas durante a gravidez. Nesse período, é recomendado o uso de meias elásticas, controle de peso, atividade física regular e moderada, além de profilaxia do tromboembolismo, de acordo com cada caso”, responde a dra. Áurea. Ufa!!

- Posso fazer atividade física? A indicada para mim naquele período foi a hidroginástica. Foram oito meses fazendo exercício na piscina. A atividade foi sugerida pelo baixo impacto para as pernas, mas depende muito do grau de recanalização do sistema venoso profundo. Os profissionais de saúde indicam também caminhada, bicicleta e até musculação, sob orientação de um profissional especializado. Esses últimos comecei inserir aos poucos na minha rotina a fim de sair da hidroginástica.

- Pode dirigir? A perna pesava muito, por isso, retornei a dirigir somente após dois meses do inicio do tratamento. Se dirigia pela manhã, só pegava no volante novamente no dia seguinte. Não conseguia ficar em pé muito tempo, dez minutos era o tempo máximo. As meias elásticas de compressão passaram a ser o acessório mais lindo do meu guarda-roupa e também a minha melhor amiga, só tirava para fazer hidroginástica e tomar banho.

Trombose mata
É angustiante saber que você esta passando por um problema que pode te tirar a vida. E algo muito sério mesmo, gente. Pode haver complicações como a embolia pulmonar, mas esse risco vem diminuindo, gradativamente, graças ao diagnóstico precoce e a grande eficácia dos anticoagulantes. Porém, pode evoluir para a síndrome pós-flebitica (ou pós-trombótica), responsável por numerosos afastamentos do trabalho e um custo alto para a saúde pública. Isso sem falar da úlcera venosa de perna.

Bom, passada essa experiência, fora a aversão de exame de sangue – tinha que fazer a cada dois dias – ficou a vontade de viver ainda mais intensamente. Se eu já era elétrica, fiquei ainda mais, só que agora muito mais consciente da necessidade de prestar a atenção aos sinais que o nosso corpo dá. Fica o alerta, meninas. 

 

 

 

 

 

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2 Comentários
  • imagem usuário ou primeira letra

    Bom dia Adriana
    Gostei bastante do seu documentário, tem me ajudado muito...
    Descobri que tive trombose a quase dois meses atras, e meu caso chegou na safena, mas com a Graça de Deus consegui descobrir a tempo...
    Estou fazendo o tratamento com anticoagulante, e meia compressão, fiquei 45 dias afastada
    Estou a 2 semanas trabalhando e sinto minha perna queimar muito, porém quando tiro ela para dormir, não sinto a ardência, você acha que isso possa ser normal? também sentiu isso?

    Obrigada!!

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