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É preciso coragem para romper laços que não fazem bem

É preciso coragem para romper laços que não fazem bem

É preciso coragem para romper laços que não fazem bem

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“É preciso discernimento e coragem para que possamos tomar a iniciativa de romper com tudo e com todos os que não nos acrescentam, não nos enriquecem, não nos fazem bem, não nos amam de volta”, começo esse post de hoje com essa afirmação escrita no portal Resiliência Humana, que li via Facebook, dentro do comboio que estava me levando até Coimbra para mais uma atividade acadêmica, o Curso de Verão “Lugares e Territórios: novas fronteiras, outros diálogos”, em Guarda (167,8km de distância de Coimbra), no dia 27 de junho do corrente ano, e calhou com o que estava a escrever.

 

Comboio Alfa pendular Turístico, junho/2017

“Pela janela do comboio, tudo passa aqui dentro: sons, sensações e vida, indo e vindo” (LMMA, 2017). À espera por descer e fazer a baldeação do comboio em Lisboa (estação Oriente) para Coimbra, eu me vi conversando com uma senhora que estava em pé ao meu lado e puxou assunto, antes de chegarmos. Muito bem apresentável e com um lindo chapéu de abas azuis combinando com a jaquetinha, cabelos curtos e grisalhos, pele bronzeada e uns óculos chiques de grau e sol, aquele meio termo.

Ela me perguntou se eu vinha do Sul e eu disse sim, de Faro... Já entendo “de cima, Porto, e do Sul, Algarve”, engraçado isso. Toda sorridente, ela começou a relatar sobre os seus 15 dias com a família em Albufeira, no Algarve, e a contar um pouco da sua história. Prestei bastante atenção ao relato. Interessante como falar de família sempre nos aperta o coração quanto estamos longe, não é? 

Calculei que ela deveria ter uns 55 anos, pois me disse que seu filho tinha 23 anos, um “miúdo”, disse ela e falou-me de seu encontro com os seus pais, em Albufeira, e do encontro com os irmãos, pois “um vive em Londres”, disse ela, e “há tempos não o via” e de como tinha sido bom. A senhora expressou, por meio dos gestos, entonação de voz e olhar, o quão tinha sido importante aqueles dias em família para ela.

Os pais vivem em cima (Porto) e ela em Lisboa desde que se separou...”Foi difícil”, disse ela, mudando o timbre da voz e abaixando a cabeça, “não voltei de pronto mais ao Porto”, continuou ela, pedindo que seus entes queridos viessem a ter com ela em Lisboa. Era difícil voltar ao seu local de chegada em Portugal, na Europa. “Era difícil estar por lá, pois muitas eram as recordações, boas e ruins”, relatou a senhora, “mas hoje mais não”, falou firme, com corpo ereto. “A separação não foi fácil, ele fez muita besteira... Até tentou o suicídio para me chamar a atenção, mas eu avisei, eu disse, ele não quis me ouvir... Agora não tem mais volta”. 

“Foi difícil para mim sair do Porto, de onde cheguei miúda da África com a família. Lisboa é uma cidade difícil de se viver, mas hoje eu já me habituei... Ao sair daqui, vou pegar o metro, chegar em casa, pegar a carruagem (carro próprio) para ir ao trabalho, entro às 13h” e olha apreensiva para o relógio, pois já era quase meio-dia.

Falei para ela das saudades de casa e da minha família e ambas nos emocionamos. Novamente ela baixou a vista e embargou a voz e ao mencionar os seus e disse-me “acabou, agora cada um volta ao seu lugar e eu fico aqui em Lisboa... De vez em quando, meu irmão vem me procurar por aqui, o que mora aqui”, disse ela, saudosa. E completou o pensamento dizendo “nós temos um sentido de família diferente do europeu, é parecido com o do Brasil”. Pus-me a pensar sobre isso.

O comboio chegou, me despedi sentindo que ela teria muito o que me contar ainda, pois fomos interrompidas quando ela iniciava a sua história sobre a chegada em Lisboa e o encontro com os idosos com os quais ela trabalhava hoje. “Sentia-me amada novamente”, disse ela descendo as escadas com sua malinha básica e seu chapéu deslumbrante.

Pintura de João Barcelos

Despedi-me da senhora do chapéu e a perdi de vista em meio à multidão que descia e corria para o outro comboio parado. Fiquei com a minha preocupação de não perder a baldeação em Oriente, pois, como sempre, não são claras as informações em Lisboa.

Estação Oriente em Lisboa, abril/2017

Daí olhei e pensei, “vida que segue em trilhos indo e vindo” (LMMA, 2017)
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Revisão: Aleislie Emmanuelle
aleislie@bol.com.br

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