faleconosco@tudoparamulher.net

Por que é tão difícil erradicar a violência contra as mulheres?

Por que é tão difícil erradicar a violência contra as mulheres?

Por que é tão difícil erradicar a violência contra as mulheres?

205 0

A violência doméstica vem sendo amplamente discutida, pois trata-se de um grave problema em nossa sociedade. Ela não atinge só um corpo, atinge a dignidade de uma pessoa, a sua autoestima, os seus sonhos e todo esse sentimento gerado repercute negativamente em toda família.

Mas porque é tão difícil erradicar a violência contra as mulheres? Historicamente, as mulheres sempre foram condicionadas à vida privada, a serem mães, esposas, donas de casa, educadoras dos filhos, dependentes e obedientes aos homens. Essa cultura patriarcal atravessou todas as gerações e permanece até os dias atuais. As mulheres foram ensinadas a serem passivas e a aceitarem qualquer tratamento como se fosse uma obrigação, mas essa realidade vem sendo combatida há algum tempo.

Com o surgimento dos movimentos feministas as mulheres se uniram na luta pela igualdade dos seus direitos em relação aos homens e por políticas públicas específicas para as mulheres. Esses movimentos atravessaram as divisas internacionais e foi por meio deles que grandes conquistas foram alcançadas. É essa força que faz com que a luta pela equidade continue.

Apesar da igualdade formal entre homens e mulheres reconhecida pela Constituição Federal, a realidade social ainda aponta desigualdade entre os sexos, essa igualdade formal é importante, porém não é suficiente. Precisamos materializar esse direito, passar por uma transformação cultural, já que as legislações não mudaram o machismo existente. Precisamos educar e informar, cada vez, mais as pessoas para uma nova consciência da mulher enquanto sujeito de direitos.

A violência doméstica é democrática e atinge a qualquer mulher, sem distinção de raça, religião ou classe social. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) representa uma valiosa conquista, resultado de anos de lutas e discussões. A partir dessa lei, a violência doméstica foi tipificada como crime e ficou estabelecido que a violência pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. 

Para a lei, o agressor pode ser qualquer pessoa que mantenha relação íntima de afeto, que conviva ou tenha convivido com a ofendida, sem a necessidade de coabitação, ressaltando ainda que tais relações independem de orientação sexual. A promulgação dessa lei deu visibilidade a essa violência que era praticada de forma silenciosa. 

Assim, observamos que houve um aumento significativo de registros de ocorrências policiais. Fica evidente o encorajamento, cada vez maior, de mulheres a denunciar o seu agressor. Está claro que não podemos ficar inertes a nenhuma situação de violência e é ultrapassado o pensamento que diz “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Se você é vítima ou presenciou alguma situação de violência, denuncie, não espere que algo mais grave ou irreversível aconteça. Reduzir a violência contra mulher é responsabilidade de todos.

A lei Maria da Penha compreende três eixos principais no enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres: proteção e assistência; prevenção e educação; combate e responsabilização. Para uma efetiva rede de proteção e assistência à mulher em situação de violência é fundamental que sejam desenvolvidas ações conjuntas. Com respaldo nessa lei, diversos serviços já foram criados tais como, delegacias específicas de proteção à mulher e juizados especializados em violência doméstica. 

Mulheres, não sofram caladas! Olhem para as suas relações, não romantizem o abuso, observem se estão vivendo um relacionamento abusivo, reconheça o que de fato está acontecendo, reconheça que você não tem culpa e não desista, procure ajuda.  

Atualmente, a mulher ainda é alvo de grande discriminação por aqueles que acreditam que representamos o sexo frágil e, por isso, temos o desafio de mostrar que, apesar de frágeis, somos fortes, ousadas e firmes na tomada de decisões quando necessário. 

Admito, não é fácil lutar contra a violência a qual fomos expostas em toda a existência, e para isso, homens e mulheres precisam dar as mãos e lutarmos juntos pelo mesmo objetivo: o fim das desigualdades e da violência de gênero. Precisamos ter empatia e compreender a dor alheia, vamos nos comprometer em julgar menos e ajudar mais. 

Hoje, 07 de agosto, a Lei Maria da Penha completa 11 anos de aplicabilidade. É notório que houve um aumento significativo nas notificações junto à autoridade policial, mas romper definitivamente esse silêncio ainda é um grande desafio e o silêncio gera impunidade. 

Disk 180 ou 190. Denuncie, salve vidas!

 

Publicações Relacionadas

Falar de mulher é fácil, difícil é ser uma

Um 'não sei o que’ dentro de mim me reprime, me empurra pra baixo.

Venda direta: opção de renda extra de muitas mulheres

Disparidade salarial entre homens e mulheres ainda durará 100 anos.

Carnaval não é lugar para “mulher direita”

A folia de Momo não oferece as mesmas possibilidades para mulheres e homens.

Seja o primeiro a comentar

ENVIAR UM COMENTÁRIO

PORQUE MEU COMENTÁRIO NÃO APARECEU?

Os comentários do portal são moderados, então podem demorar um pouco a serem autorizados. Comentários ofensivos não são publicados.