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Da obesidade às pistas de corrida

Da obesidade às pistas de corrida

Da obesidade às pistas de corrida

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Hipertensão, doença cardíaca, disfunções respiratórias e diabetes são algumas das doenças provocadas pela obesidade. Dependendo do caso, quando os problemas chegam a um ponto crítico, no qual as atividades físicas já não causam efeito ou não podem ser mais ser feitas devido às limitações físicas, a cirurgia bariátrica (de redução do estômago), é o tratamento mais indicado. Esse foi o caso da turismóloga e professora universitária Lillian Mesquita

Apesar de já ser realizado com bastante frequência no País - em 2015, 93,5 mil passaram pelo procedimento -, ainda há muito desconhecimento sobre a mudança de hábitos que vêm junto com a cirurgia, que, sozinha, não faz milagres. Ela prescinde de reeducação e manutenção alimentar e física para que os resultados sejam efetivos. 

No caso de Lillian, a nova rotina, que inclui cardápios e atividades físicas, passou a fazer parte da sua vida. De tão disciplinada que foi às recomendações médicas, Lillian se tornou atleta amadora e até já correu uma meia maratona. Mas ninguém melhor que ela mesma para contar essa história. Se você ficou curiosa e quer saber como foi essa metamorfose, continue a leitura.  Para começar, vamos saber o que a levou à mesa de cirurgia. 

"Ano passado (2015), mais ou menos em meados do mês de outubro, um ano após a bariátrica, decidi que iria comemorar o segundo ano da cirurgia correndo uma meia maratona. Por que comemorar assim? Porque eu tinha perdido uma parte da minha essência: a atividade física. Eu sempre pratiquei, porém, devido ao excesso de peso, estava impedida até de andar,  que dirá pedalar, esporte que eu praticava desde que operei o joelho esquerdo, em 2008. Correr? Nunca me imaginei correndo.

Pois é, pedalar me fazia sentir livre, o vento alisando o meu rosto e o desafio das trilhas me fazia sentir viva, muito viva... Mas, em 2013, tudo parou. Lesões nos cotovelos e nos pulsos, em virtude do peso, já havia me afastado dos longões (treinos longos). Era muito sofrido. A lombar também sofria, minha fibromialgia me tirava do sério... Como se não bastasse, surgiu uma fascite plantar (dor, tipo pontada, na planta do pé, especialmente na região logo abaixo do calcanhar) ocasionada por um pico de stress, não por compulsão alimentar, nos dois pés, o que me levou dos 87 (já sobrepeso) para os 106 kg... Pois é, cheguei a isso tudo!

E o pior não era nem a aparência que havia mudado muito, mas o fato da minha qualidade de vida ter sumido. Eu já não praticava nenhum esporte, pois as dores não permitiam. Andar era muito doloroso. Ministrar aulas, minha paixão profissional, também era cada vez mais sofrido. Era cada vez mais duro fica em pé. Os pés doíam demais, inchavam e ainda, me impediam de caminhar.

Pois bem, em outubro de 2014, fiz a cirurgia bariátrica, que foi um sucesso. Fui extremamente dedicada às orientações médicas, à nutricionista, ao cardápio montado pra mim, as mudanças do corpo e, principalmente, da mente. Não porque eu tivera problemas com a comida ou não me reconhecesse magra, mas porque o mundo não sabe que existem as diferenças e a partir de então, eu era diferente.

O mundo da alimentação “fora de casa” não sabe que existem pessoas com restrições e, a partir daquele 24 de outubro de 2014, eu passaria a ser (se desejasse ter uma vida saudável pós-cirurgia). Entender que tudo seria muito mais seletivo, muito mais delicado e muito mais eu comigo mesma, faria parte de estar em sociedade a partir de então. Lanchinhos de três em três horas, marmitinhas, e “dá licença professor, porque preciso lanchar” passaram a fazer parte da minha rotinha.

Após três meses de operada, fui liberada para fazer tudo o que eu quisesse em termos de esportes. Assim, comecei, com orientação profissional, a correr. Um mês antes tinha começado a caminhar. Não vou me esquecer nunca daquela tarde nos Lagos da Orla, na qual dei uma volta sem sentir dor, chorei de alegria. Foram apenas 30 minutos! Trinta minutos libertadores! 

Para comemorar o meu aniversário em 2014, resolvi fazer um passeio de bike, dos Arcos da Orla até a Orlinha, e um café da manhã para comemorar o feito – eu não tinha dúvida de que iria conseguir. E assim foi, um passo de cada vez, uma conquista por vez, um dia após o outro. Assim como foi planejar a minha primeira meia maratona.

Quando me vi pensando na meia maratona, foi na certeza de que teria uma meta desafiadora pela frente e, para que eu não desistisse, por mais dificuldades que o caminho me colocasse, nada iria me impedir de realizar esse feito. Afinal, eu já podia andar, caminhar e até correr, por que não ousar mais? E assim foi. Uma prova de cada vez, um aumento de quilometragem por vez... Era muita emoção, eu chorava, perdia o fôlego de alegria por cada singela e grande conquista.

Inscrição feita, seria a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, que ocorreria no dia 16 de outubro de 2016. Estimulada por uma parceira de clube, enviei a ficha sem nem querer saber o percurso ou altimetria... Eu só queria poder fazer. Pronto, boleto pago, agora era focar e treinar!

Com o ritmo melhorando, foi instigada a participar de uma prova de triathlon (um treinão, na verdade, mas eu encarei como prova) e lá fui eu me jogar em um outro desafio, maior até do que eu imaginava, que era juntar três modalidades, em um só momento: nadar, correr e pedalar. Já tinha feito tudo isso em separado, mas juntos nunca! Mas, desafio dado é desafio aceito, e lá fui eu iniciar os treinos, em junho de 2016. O que tudo isso me trouxe de bom? Muita disciplina para conciliar os estudos do doutorado e a intensidade dos treinos, uma rotina que pode parecer exaustiva, desafiadora, mas que vem me trazendo excelentes resultados físicos e, principalmente, mentais". 

Quer saber como Lillian conseguiu chegar ao seu objetivo? Já já publicaremos a segunda parte dessa história de superação. Ah, ela, que será colunista do Portal, vai compartilhar aqui a sua dieta, conquitas, descobertas e outras rotinas. Aguardem!! 

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4 Comentários
  • imagem usuário ou primeira letra

    Parabéns Lilian, que depoimento inspirador. Já estou ansiosa para o próximo. Esse exemplo motiva a muitas mulheres que hoje vivem na luta contra obesidade.

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    Parabéns Lillian,, fantástico seu depoimento, nossa me emocionei com sua determinação e garra!!! Aguardo ansiosa pela segunda parte dessa história linda!!!

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    Que história incrível! Parabéns por sua determinação e amor pela própria vida. Inspira.

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    Muito orgulhosa dessa minha amiga! Lillian é uma guerreira, determinada, corajosa e com um sorriso de felicidade que ilumina quem está à sua volta! Sucesso como colunista, pois na academia já dá um show de qualidade na produção!

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