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A emoção da medalha

A emoção da medalha

A emoção da medalha

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Como vocês viram na primeira parte desse artigo (confira aqui), Lillian Mesquita deu início aos treinos para realizar a sua primeira meia maratona do Rio de Janeiro 2016. Para chegar aos seus objetivos, ela precisava de foco e muita determinação. Vamos deixar que ela continue a contar essa história que é pura superação. 

“Treinar era preciso, focar também. Não podia perder tempo com nada que me desviasse do foco. Não foi fácil porque muitos amigos reclamaram a ausência em festinhas ou momentos em baladas, porém, não dava mais para prejudicar ou perder uma noite de sono nem um dia de treino. Eu sabia o quanto era importante para mim, sabia o quanto essa meia maratona seria um símbolo do meu renascimento. Desse modo, pedi compreensão das pessoas próximas para o meu momento particular e segui firme.

Vivia em contagem regressiva; ansiedade cada vez maior; um passo de cada vez; cansaço; fome; desafios diários; nova rotina. A cada dia precisava fazer escolhas, sempre me mantendo firme. Comecei a ter medo de que algo ocorresse, afinal, muita gente falava que era uma prova muito quente, com uma subida de 3km logo na saída, mormaço... Todas essas informações faziam com que o meu medo estivesse ali, permeando os meus sentidos, me acompanhando nos treinos. Na medida em que o tempo passava, ia me sentindo mais segura fisicamente, mais um “tico” preocupada emocionalmente, pois o turbilhão de sentimentos ia aumentando.

Alguns bons amigos foram me passando as suas experiências. Um deles, Juliano, foi crucial para me acalmar o pensamento: “vai pegar três copos d’água. Joga um na cabeça, coloca um no bolso e com o outro vai molhando a boca, dando golinhos”, disse ele. Os amigos foram me ajudando a compreender que eu podia vencer a meia, com o trabalho também de “cabeça” e lá fui eu ler, pesquisar e praticar yoga - e, nossa, como me ajudou! 

Paralelo aos treinos tinham as outras tarefas, entre elas as atividades do doutorado e eu me cobrando as leituras e atividades que deveria estar fazendo. Não que o esporte em si estivesse me prejudicando. Muito pelo contrário, me aliviava a pressão, mas o mundo lá fora é outro e a boa e velha natureza humana também não ajuda. Mas, sigamos...

Chegou o grande dia. Arrumo a mala (primeira vez que viajei com tão pouca bagagem, rsrs). Pego o avião, chego ao Rio de Janeiro, tento dormir, acordo, saio para pegar o kit e me dou conta de que esqueci o meu MP3. Poxa, tinha preparado uma playlist especial para o grande dia :/ 

“Mas isso não vai me atrapalhar”, pensei e logo solucionei o problema.  Foi um dia corrido, mas muito legal. Conheci o Cristo Redentor, famoso ponto turístico que eu não conhecia. Depois fui preparar as coisas, pois o dia estava na contagem mega regressiva. Agora um dia, só um dia me separava do meu sonho. Vamos em frente!

Na hora marcada, peguei um ônibus que foi fretado por um grupo de corredores que estavam no hotel e foi providencial, pois ainda deu para cochilar e relaxar o corpo. Desci no ponto e cheguei! Estava muito tranquila, serena, até demais, estava me estranhando... Coração sem palpitar, nervosismo controlado, ops, era eu mesma? Perguntei-me algumas vezes até dar a largada. 

Largada dada, passei uns 200 metros só caminhando. O som foi aumentando, o locutor chamando pelo nome dos Estados, fomos até lá perto e tchan, cheguei à linha da largada. Coloquei o tomtom para funcionar e lá vamos nós... Uhuuuuuuu, começou. As amigas largaram com gás e eu controlando o pace (ritmo médio de corrida), seguindo à risca a planilha... Peguei o celular para filmar e tive o primeiro pico de emoção. A voz embargou e, para não chorar, preferir fazer só um micro vídeo, rsrs. A ficha ainda não tinha caído... Olha a tal subidinha... Vi muita gente na maior carreira e pensei: “oh povo doido, mal começou a corrida já estão assim? Será que vão aguentar?”. Dito e feito, na segunda curva da subida já tinha gente caminhando... Simbora! 

Comecei a me lembrar das falas dos amigos e do Ben Ayres, que me mandou um áudio super carinhoso, me lembrando dos braços e usei eles na subida... Passei tranquilo pelos 5 km iniciais. Água nos bolsos e um gel. Vamos lá, comecei a olhar a paisagem, não só a natureza, mais a humana, as pessoas ao redor, os corredores, as idades e como foi legal ver tanta “cabecinha branca” vencendo cada passo... Meus quilômetros ao longo do percurso foram fotografando, curtindo, olhando o pace, respirando, hidratando, cantando e agradecendo. Creio que tenha sido no quilômetro 10, não sei ao certo, que vi irmãos gêmeos, coroinhas, correndo lado a lado e me emocionei. Foi ali que a ficha caiu de onde eu estava e o que tinha vivido até ali. Não segurei e chorei. 

Diva Valença, uma amiga que corria comigo, me perguntou se estava tudo bem. Estava sim - e como estava! -, mesmo mega emocionada, fui lá na mente e disse a mim mesma: “calma, ainda tem muito chão, respira e segue”. A partir dos 10km comecei a jogar água na cabeça, coisa que foi muito boa quando fiz a minha primeira atividade de triathon. Foi crucial para não sentir a sensação térmica, que girava em torno dos 41º. Estava começado a esquentar, mais eu não senti mesmo esse calor. Acho que o foco ajudou... E lá fui eu, curtindo, dançando e ouvindo música, lembrando, a cada passo dado, das coisas boas que eu tinha vivido até ali.

A maior emoção foi ver o Pão de Açúcar e um mar de gente correndo... Ali meu coração pulou de alegria, ali eu senti uma paz tão grande que a felicidade de estar ali me invadiu e o gás aumentou. Nem sei quantos quilômetros ainda restavam, só queria agradecer. E assim foi, a cabeça pensava “será que vou sentir alguma coisa?” e eu coloca água gelada na cabeça, nos braços e mais um gel. Nessa feita, Diva já corria comigo e íamos fotografando, curtindo cada passo. Olhei para o relógio que marcava 19km, “agora falta pouco”, pensei.

Acelerei o passo... Diva me cutucou e disse, “calma, ainda tem chão”. Nessa hora, reduzi e faltando 1km, ela já estava gritando. Foi muito massa, gritar e ir me aproximando da linha de chegada... “ohhhh km extenso esse, aff, não chega nunca”, pensei. Avistei a linha de chegada, olhei o tempo no cronômetro e pronto, cruzei... Lembrei-me das orientações, “não para de vez, continua caminhando”, comecei a chorar e a gritar, “uhuuuu... Obrigada meu Deus, por me permitir chegar até aqui”. Abracei Diva, gritamos, pulamos, fotografamos, gritamos novamente... Eu nem acreditei que tinha chegado, inteira, bem, sem passar mal, sem sentir dor..."Eu cheguei, eu consegui!!!”.

Demorou para cair a ficha, viu? Engraçado como passa rápido, como tudo acaba logo... Foi um ano de planejamento, de treino, de foco e, em 2h38, tudo acabou. Que estrutura massa, que medalha linda, que astral show, que companhias maravilhosas. Foi incrível! Foi indescritível! Foi perfeito!

Depois disso tudo, sabe qual a moral dessa história? Nunca desista de um sonho. Nunca deixe ninguém dizer que você não é capaz. Nunca permita que o medo tome conta de você. 

Quem ficou fã da Lillian, vai poder acompanhar a sua rotina de treinos, alimentação e novos desafios aqui no Portal. A estreia será na próxima semana. Aguardem!


 

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1 Comentário
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    Lillian!!!!!!!!!! Mulher você me deixa sem fôlego, afff maria, estava tão ansiosa por esse capítulo que já me emocionei do primeiro parágrafo e dai por diante foi pura felicidade, em saber que você com garra foi lá e fez, por sinal fez lindoooo! E seu depoimento no final quando diz para que ninguém deixe de sonhar, pois o sonho é a melhor parte das nossas histórias né verdade?
    Então lá vai mais uma vez meus parabéns dessa sua fã, que segue no ritmo (ainda muito longe do seu), porém na certeza que um dia também realizarei esse SONHO!!

    Beijo no seu coração!

    Portal TPM, mais uma vez parabéns pelas lindas emoções e histórias compartilhada!

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