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Sonhos, experiências e desapegos

Sonhos, experiências e desapegos

Sonhos, experiências e desapegos

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Engraçado como temos dificuldade de abrir mão de certas coisas que já tiveram a sua importância na nossa vida, mas que hoje não fazem mais tanto sentido assim. Um apego por uma história, um passado, uma pessoa, um momento. Já foi!! Será? Acho que se tivesse ido mesmo, o desapego não doía tanto. Acho que em algum momento já até escrevi sobre isso aqui, um desapego que doía... mas dessa vez foi diferente. Agora não vou falar de momentos em família, muito menos da decepção de um grande amor ou de uma amizade perdida. Vou falar de tecidos (rsrs)! Isso mesmo, já já você vai entender.

Os últimos seis anos, minha vida, sem que eu mesma percebesse, resumiram-se a sonhar e experimentar. Tanto que se você fizer um retrocesso da minha caminhada aqui no Portal mesmo vai perceber. Comecei como colunista escrevendo sobre coisas muito específicas de uma das minhas profissões: engenheira de alimentos. Essa fase teve uma importância absurda, mas, com o tempo, deixou de se encaixar na minha vida, perdeu espaço no meu coração.

Depois redescobri um amor adormecido pelo artesanato, que se tornou mais uma das minhas profissões. Essa já me trouxe muitos sonhos, decepções, amigos, momentos incríveis... Mais que isso! Trouxe um aprendizado que eu ainda não conseguia entender. Amava muito ser artesã, era um vício que me rendeu vários outros vícios. O amor pelo tecido foi um deles. Conseguia passar meses sem comprar uma blusa porque não tinha grana, mas, em compensação, torrava o que não tinha quando via aquelas cores e estampas tão lindas, tão diferentes e que me abriam tanto a imaginação e me deixavam em alfa! Isso é bem sério, mas a sensação era essa mesmo. heart

Um belo dia, percebi que, há muito tempo, vivia um bloqueio criativo sem fim e uma desmotivação que não conseguia entender. Não era pelo mercado. Tinha uma quantidade muito boa de clientes, respeito e admiração pelo meu trabalho. Mas sentava no chão, espalhava todos os tecidos à minha frente e não conseguia pensar. Faltava algo. Foi em uma conversa com outra artesã, iniciante, que me veio um estalo à cabeça. enlightened

Conversava sobre como ela podia começar a vender, divulgar, controles que deveria fazer...  Ela ficou tão feliz que me fez lembrar de tantas outras vezes que tinha feito isso sem perceber, me fez lembrar de como os meus clientes antigos gostavam da forma como eu trabalhava. Foi aí que reuni coragem e mudei o foco. Juntei tudo que tinha aprendido durante a minha vida toda, em cada uma das minhas profissões, em uma mala e fui para o mundo das experimentações. De onde venho colhendo os frutos desde então. 

Mas e os tecidos? Desde que fechei o meu ateliê venho arrumando as coisas aos poucos. Já me desfiz de muita coisa, vendi, doei, mas ainda não tinha tido coragem de mexer nos meus tecidos. Sabia que um dia teria que fazer, mas sempre protelava. Há uns dias, resolvi doar parte deles junto com outros materiais. Passei uma manhã inteira com eles, lembrava o exato momento que tinha comprado cada um deles, as peças que tinha feito (e olha que eram muuuuitos). Para a minha surpresa, dessa vez não doeu.

Apesar de não me desfazer de tudo (ainda tenho meus projetinhos pessoais) a única coisa que pensava era como eles iam fazer outras pessoas felizes, como iam espalhar cor e alegria por aí. E quer saber? Foi bom! Na verdade, o desapego não precisa doer. A gente só precisa entender que a lembrança das coisas boas fica, mas que o universo também precisa receber um pouco da felicidade que um dia aquelas coisas já nos deram.  

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